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Influenciadores digitais, apostas online e o crescimento dos riscos comerciais: uma nova era de fraudes e chargebacks

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Imagem: Freepik
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*Por Édio Nagase

O poder da influência e o risco da recomendação

Nos últimos anos, os influenciadores digitais se tornaram protagonistas no marketing de produtos e serviços. Com milhões de seguidores e alto poder de persuasão, suas recomendações, patrocinadas ou não, têm impulsionado vendas em diversos segmentos. No entanto, essa força comercial também tem gerado um aumento preocupante de fraudes, desacordos comerciais e, consequentemente, chargebacks.

Segundo levantamento da HypeAuditor, cerca de 48,9% dos influenciadores brasileiros se envolvem em práticas enganosas, como compra de seguidores, engajamento artificial e divulgação de produtos falsificados. Essa manipulação de métricas não apenas prejudica marcas, mas também expõe consumidores a golpes, desde sorteios inexistentes até vendas de produtos que nunca são entregues.

Apostas online e pagamentos instantâneos: facilidade que cobra caro

O setor de apostas esportivas, popularmente conhecido como “bets”, vive uma explosão no Brasil. Com a regulamentação da Lei 14.790/2023, o Pix se tornou o método padrão de pagamento, substituindo cartões de crédito e carteiras digitais. A facilidade de iniciar pagamentos por WhatsApp, links diretos e QR codes tem atraído milhões de usuários, mas também facilitado o crescimento de fraudes.

Casas de apostas como Betano, Bet365 e Br4Bet oferecem depósitos a partir de R$1 via Pix, com saques instantâneos. Essa agilidade, embora conveniente, aumenta o volume financeiro transacionado em tempo real, dificultando a detecção de atividades fraudulentas. Influenciadores têm sido usados como ponte entre essas plataformas e o público, promovendo jogos de azar, inclusive ilegais, como o famoso “Jogo do Tigrinho”.

Chargebacks em alta e novas tarifas das bandeiras

Com o aumento das transações digitais e da exposição a fraudes, as bandeiras de cartão de crédito, como Visa e Mastercard, endureceram suas políticas de monitoramento de chargebacks e fraudes. Em abril de 2025, entraram em vigor novas regras que incluem:

  • Redução dos limites toleráveis de chargebacks: Visa agora alerta empresas com taxa de 0,65% (antes 0,75%).
  • Multas progressivas: podem chegar a US$50 por transação contestada e até US$25 mil em auditorias para empresas reincidentes.
  • Cobranças por defesa de disputa: Visa e Elo passaram a cobrar até US$2,50 por reapresentação e envio de documentos.

Essas mudanças obrigam os players, especialmente e-commerces, plataformas de apostas e influenciadores, a rever suas estratégias de gestão de risco, custo e compliance. A negligência pode resultar em descredenciamento das bandeiras, perda de reputação e prejuízos financeiros irreversíveis.

O que está em jogo

A combinação entre influência digital, pagamentos instantâneos e produtos de alto risco (como apostas e promessas de lucro rápido) criou um ambiente fértil para fraudes. O consumidor, muitas vezes seduzido por uma “publi” carismática, acaba sendo vítima de golpes que envolvem desde clonagem de cartão até não recebimento de produtos.

Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam:

  • Auditoria rigorosa de influenciadores antes de parcerias comerciais.
  • Investimento em ferramentas antifraude com machine learning.
  • Transparência nas políticas de entrega e reembolso.
  • Monitoramento constante de chargebacks e disputas comerciais.

Oportunidades inéditas nessa era digital

A era da influência digital trouxe oportunidades inéditas para marcas e consumidores, mas também desafios complexos. Com o aumento das tarifas de chargeback e a sofisticação das fraudes, o mercado precisa se adaptar rapidamente. A responsabilidade não é apenas das bandeiras ou das plataformas, mas de todos os envolvidos na cadeia de consumo digital.

*Édio Nagase é Comercial Manager/Business Developer na startup Kstack.

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