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Carnaval sem dívida: curta agora, sem se enrolar depois

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Carnaval no Brasil é brilho, rua cheia, risada solta, vontade de esquecer os boletos e só viver. E tá tudo certo querer isso. É o momento do ano em que o povo se encontra, dança, canta, se reinventa e, muitas vezes, se permite sonhar. Só que junto com a fantasia, vem também o risco de se fantasiar de alguém que pode gastar mais do que realmente pode. E aí, quando o som do tamborim silencia, começa a batucada dos boletos.

 

O problema não é curtir. Curtir é necessário, é direito, é alívio. O que não pode é curtir com o dinheiro que ainda não se tem. É transformar o cartão em solução, quando na verdade ele é só um adiantamento com juros. Muita gente entra na festa achando que “depois resolve”, mas depois vem com cobrança, e a alegria dá lugar à preocupação.

 

Então vou deixar aqui umas dicas pra quem vai pular Carnaval, mas não quer tropeçar nas finanças. Antes de sair de casa, define quanto pode gastar. Não o que “talvez dê”, mas o que pode de verdade, sem tocar no dinheiro das contas fixas. A grana do aluguel, da escola, da comida, do transporte… essa não pode sair para brincar. Separa o que é da folia e respeita esse limite. E se acabar no segundo dia, tá tudo bem curtir no improviso. O Bloco bom também é aquele que a gente dança com paz na cabeça.

 

A fantasia, então, é um capítulo à parte. Tem cidade que leva isso a sério, e acho lindo. Mas não precisa ser nova, nem cara. Dá para usar o que tem em casa, pedir emprestado, customizar, trocar com as amigas. O Carnaval é a maior festa de criatividade popular do mundo. E ser criativa com o que tem é parte da tradição. O brilho não tá no preço da roupa, está em como você chega e como você volta.

 

E não custa lembrar: março existe e vem com contas, compromissos, aluguel, escola, comida, transporte e tudo aquilo que não foi cancelado pela festa. O Carnaval acaba, mas boleto, meu amor, esse tem vencimento. Então pensa bem se vale a pena usar a alegria de agora para apagar o sossego do mês seguinte.

 

Se não dá pra bancar tudo, escolha. Talvez seja o show especial, ou a fantasia, ou o transporte confortável, mas não dá para querer tudo de uma vez. E se puder dividir, melhor ainda. Divide o Uber, divide a bebida, junta pra levar lanche. Isso é estratégia, não miséria. É cuidar de você hoje e da sua paz amanhã.

 

Carnaval é pra lembrar com leveza. É pra voltar para casa com história boa e conta em dia. Dá para dançar, pular, amar e rir, sem transformar quatro dias de festa em quatro meses de sufoco. Porque se tem uma coisa que combina com alegria, é a consciência de quem sabe que merece curtir e dormir tranquilamente depois.

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