“Mangue é Vida” revela o papel das marisqueiras e das soluções de reciclagem na geração de trabalho e fortalecimento econômico das comunidades tradicionais
O média-metragem “Mangue é Vida”, que será lançado no dia 12 de dezembro em Vitória (ES), ilumina um aspecto ainda pouco discutido do maior manguezal urbano do Brasil: seu impacto econômico direto na vida de centenas de famílias que dependem desse ecossistema para trabalhar, empreender e inovar.
Produzido pela Bloom Ocean, o documentário mostra como o manguezal do Espírito Santo é um ativo natural que movimenta a economia local, especialmente por meio da atuação das marisqueiras e pescadores artesanais. Essas trabalhadoras, que tradicionalmente coletam mariscos e sustentam boa parte das famílias das comunidades, são peças essenciais de uma cadeia produtiva que envolve alimentação, comércio local, inovação e reciclagem.
Cascas de marisco viram renda extra e insumo agrícola
Um dos pontos mais inovadores apresentados no documentário é a transformação das cascas de mariscos, tradicionalmente descartadas após a coleta, em um pó agrícola de alto valor para correção do solo. A iniciativa cria uma cadeia produtiva sustentada por economia circular: aquilo que antes era resíduo sem utilidade passa a gerar renda e novas oportunidades de trabalho para as marisqueiras, que conseguem complementar sua subsistência com a venda desse material. Ao mesmo tempo, agricultores locais se beneficiam de um insumo mais acessível e ambientalmente sustentável, reduzindo custos e fortalecendo práticas agrícolas conscientes. Essa dinâmica estabelece um ciclo econômico virtuoso no Espírito Santo, no qual o manguezal, historicamente associado apenas à coleta tradicional, torna-se fonte de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento financeiro para toda a região.
Economia Azul em prática
O documentário também coloca em evidência como a Economia Azul já faz parte da rotina das comunidades do manguezal no Espírito Santo, mesmo antes de o conceito ganhar força nas políticas públicas e no mercado global. No território, a prática surge de forma orgânica: a pesca artesanal que movimenta o comércio local; a coleta de mariscos que garante renda direta a dezenas de famílias; a reciclagem das cascas que se convertem em insumo agrícola; e as iniciativas científicas e comunitárias que fortalecem a sustentabilidade do ecossistema. Esse conjunto de ações, que alia preservação ambiental e geração de renda, mostra como o manguezal funciona como um ativo econômico que impulsiona empregos, estimula o microempreendedorismo e reduz custos em outras cadeias produtivas, como a agricultura. Mais do que um conceito teórico, a Economia Azul aparece no filme como uma prática concreta, construída diariamente por marisqueiras, pescadores e organizações locais que transformam o território em um laboratório vivo de inovação social e financeira.
Comunidades como protagonistas da inovação
Lideranças como Cíntia do Nascimento Siqueira Campos e Rosineia Pereira Vieira, da APAPS, aparecem no documentário explicando o impacto da atividade no dia a dia das famílias e como a organização comunitária fortalece o desenvolvimento financeiro e social da região.
Já iniciativas como o Projeto Sururu e o SaltGen reforçam que a soma de conhecimento técnico, conservação e práticas locais pode gerar modelos econômicos sustentáveis e escaláveis, com potencial para inspirar outras regiões do país.
Realização
O média-metragem é uma produção da Bloom Ocean, com apoio do Ministério da Cultura, da Espírito Criativo e da Franklin Filmes, e patrocínio do BNDES via Lei de Incentivo à Cultura. A obra conta também com parcerias da Graúna Digital e da Dandá Narrativas Audiovisuais.