Reinclusão de métodos inovadores na política científica e mudanças na legislação aproximam o país de práticas internacionais e podem influenciar custos, inovação e produtos no mercado
O Brasil deu um passo importante na modernização da ciência e da indústria ao reincluir metodologias que substituem o uso de animais em pesquisas na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024–2034. A decisão acompanha uma tendência global de adoção de tecnologias mais eficientes, como modelos computacionais, inteligência artificial e testes com células humanas, que prometem reduzir custos, acelerar o desenvolvimento de produtos e aumentar a precisão dos resultados.
Esse movimento também dialoga com mudanças recentes na legislação brasileira. A Lei 15.183, sancionada em 2025, proibiu o uso de animais em testes para cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes, embora ainda mantenha as regras para medicamentos. A expectativa é que esse tipo de regulamentação estimule a inovação na indústria e abra espaço para soluções tecnológicas mais competitivas.
No cenário internacional, a transição já está em curso. Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) anunciou um plano para substituir testes em animais por métodos mais eficazes. O Reino Unido também estabeleceu metas para eliminar esse tipo de prática em testes de segurança até 2026 e reduzir estudos em animais até 2030. Já a União Europeia prepara um plano para eliminar gradualmente os testes em avaliações químicas.
Além do impacto ético, especialistas apontam que a adoção dessas tecnologias pode trazer efeitos diretos para o mercado: desde a redução de custos de desenvolvimento até a chegada mais rápida de novos produtos ao consumidor. Para setores como cosméticos, farmacêutico e biotecnologia, a mudança representa não apenas uma evolução científica, mas também uma oportunidade estratégica de inovação e competitividade.